Pink Floyd Festejado em Exposição Imperdível

Londres tem tanta coisa pra ver e fazer que não dá numa vida inteira!

Mas a gente tem amigos queridos que contam pra gente um pouco das suas experiências. E aqui o Pedro Redig relata sua visita à exposição do Pink Floyd no V&A.

Vai que é tua Pedro!

O cartaz da entrada da exposição
O cartaz da entrada da exposição

 PINK FLOYD FESTEJADO EM EXPOSIÇÃO IMPERDÍVEL

© Pedro Redig, especial para Londres Pra Você 

A magia do Pink Floyd está de volta com uma retrospectiva imperdível que celebra o primeiro disco lançado pela banda há meio século e chamado “Piper at the Gates of Dawn.” Para quem já viu, a mostra é tão boa quanto os shows da banda nos anos dourados de 1970 e 1980. 

“Pink Floyd: Os Restos Mortais” abriu em maio e fica em cartaz no Victoria & Albert Museum de Londres até setembro. A mostra é certamente um das melhores atrações para quem vai  visitar a Inglaterra nas férias de meio de ano.

Ingressos com dia e hora marcados têm que ser comprados antecipadamente no site http://pinkfloydexhibition.com ou em agentes autorizados. O preço é £20 libras – cerca de R$80 reais.

O Pink Floyd foi pioneiro do techno pop
O Pink Floyd foi pioneiro do techno pop

As entradas para a primeira semana acabaram logo, mas eu consegui dois tickets para o terceiro dia e fui com a amiga e produtora cultural Lucia Guanabara que fez as lindas fotos.

Do lado de fora do imponente prédio do museu, um  turista americano procurava um lugar para tirar um selfie junto de uma escultura ou imagem da banda.

– Aqui não tem nada mas lá dentro não falta coisa boa para ver – respondi ao americano que não tinha ingresso.  

O visitante fica impressionado logo na entrada. Você passa por dentro de um modelo daqueles tradicionais táxis pretos e entra num túnel do tempo para conhecer uma das bandas mais criativas que mudou a história da música com seu estilo único.   

A gente passeia pelas salas e os headphones seguem os nossos passos, transmitindo o som do que voce está vendo. Se é uma entrevista você escuta o voz, se é uma guitarra, aparece o som. Afinal, numa viagem com o Pink Floyd, a trilha sonora tem que ser perfeita.

Destes instrumentos saiu um som que conquistou o mundo e faz sucesso até hoje
Destes instrumentos saiu um som que conquistou o mundo e faz sucesso até hoje

Pink Floyd foi um dos primeiros grupos de intelectuais do rock. Os membros da banda eram estudantes de arquitetura – o que explica o encantamento que tinham por colaborações artísticas com  mestres do psicodelismo e do surrealismo na Londres do “swinging 60’s”.  A estética deles se aproximava um pouco de outro rebelde da época, David Bowie. Usar música para expressar arte.

uma imagem antológica do grupo que valoriza a estética
Uma imagem antológica do grupo que valoriza a estética

As capas dos albums são pura beleza e originalidade. Imagens e objetos intrigantes desfilam nos palcos cheios de teatralidade que marcam os shows da banda. Mensagens de cunho político fazem parte de uma narrativa contra o sistema que lembra muito a sociedade totalitária do clássico livro “1984” de George Orwell.

The Wall
Um cartaz aclamando o álbum “The Wall”

A mensagem é sempre provocativa e as letras  vem carregadas de realismo.  Os versos de “The Wall” são um grito contra o sistema repressor da educação e controle das liberdades individuais.

The Wall repressao
A imagem da repressão no grito libertário de “The Wall”

Uma grande parafernália de símbolos inclui o porco voador do LP “Animals”, as duas grandes caras de “Division Bells”, o homem pegando fogo em “Wish You Were Here” e a imagem mais popular – o prisma e o arco íris em “The Dark Side of the Moon.”

Capa de Division Bells
Capa de “Division Bells”
Capa do Wish You Were Here
Capa do “Wish You Were Here”
Capa interna Wish You Were Here
Capa interna “Wish You Were Here”
O grupo vai ser sempre lembrado pelo prisma e o arco íris de Dark Side of the Moon
O grupo vai ser sempre lembrado pelo prisma e o arco íris de “Dark Side of the Moon”

Roger Waters, o baixista que brigou com a banda em 1985, aparece numa gravação explicando como o grupo inventava os ‘riffs’ acelerando notas para criar um novo som. Este experimentalismo fez do Pink Floyd um pioneiro do que veio a ser chamado ‘techno rock’ e ‘techno beat’, numa época em que não havia nem computador. 

Lider e guitarrista David Gilmour (esq.) e baterista Nick Mason
Lider e guitarrista David Gilmour (esq.) e baterista Nick Mason

Também era um tempo de poucos vídeos mas os produzidos pelo  Pink Floyd estavam anos luz na frente de outros artistas. Os clips são verdadeiros “happening” musicais, com violões flutuando na água, estátuas e bonecos desfilando à beira mar e centenas de camas expostas ao ar livre, balões e grandes bandeiras voando… 

O UFO club foi onde o Pink Floyd começou a se apresentar em Londres na época que glorificava o LSD
O UFO club foi onde o Pink Floyd começou a se apresentar em Londres na época que glorificava o LSD

Gente que trabalhou com o Pink Floyd conta que alguns destes caprichos artísticos eram caros demais mas a banda não abria mão das exigências.

Outro destaque da retrospectiva são os instrumentos e equipamentos que a banda usou para criar um som totalmente original e inovador. 

Camas usadas em um video servem agora de moldura para guitarra
Camas usadas em um video servem agora de moldura para guitarra

Depois de passear duas horas por galerias escuras que revelam as cores vivas do Pink Floyd, o visitante extasiado pode deitar no chão e curtir o som numa sala que projeta um enorme vídeo em grandes telões nas quatro paredes.  Abaixo uma pequena amostra filmada pela Lucia Guanabara.

É o extase de um programa que vale cada centavo e cada segundo. O Pink Floyd já vendeu 200 milhões de discos e sete mil cópias de “Dark Side of the Moon” são compradas por semana até hoje.

A gente vai embora com a certeza de que daqui a 50 anos, a genialidade de uma das melhores bandas de todos os tempos vai ser reverenciada com a mesma intensidade de agora.  

Psicodelismo é explorado ao limite pela banda inglesa
Psicodelismo é explorado ao limite pela banda inglesa
Os estranhos personagens do universo alucinado do Pink Floyd
Os estranhos personagens do universo alucinado do Pink Floyd

Pedro Redig é jornalista com MBA em Football Business. Mora em Londres onde trabalhou na Globo e na Reuters.

As fotos são do autor e da produtora cultural Lucia Guanabara.    

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11 comentários Adicione o seu

  1. Marcy disse:

    Adorei a matéria! Seu time está crescendo Tina, e com colaboradores de alto nível! Parabéns Pedro, parabéns Lucia!

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    1. Quando você vier, pode coloborar também! Bjs

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  2. Anselmo Duarte Jr. disse:

    Bela matéria. Parabéns Pedro Redig!

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  3. Confesso que não sou muito fã de Pink Floyd, mas a exposição está incrível!
    Muitos detalhes e conteúdo exclusivo da banda.
    Ótima matéria!

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  4. 100rota disse:

    Sempre ouvi dizer que os Pink Floyd “valiam mais pelo espectáculo do que propriamente pela música”. Sendo assim ou não são uma banda mítica como poucas que ainda existem. Confesso que sinto alguma nostalgia de ter bandas assim como as que havia nos 79/80/90-Mettalica, Nirvana, Pink Floyd, Dire straits, Guns…enfim e bandas de hoje quem se lembra de alguma ? Eu não..

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  5. Muito bom o texto! Parabéns ao Pedro! Ele fez com que a gente se sentisse dentro da exposição. Deu muita vontade de ir.

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  6. Nos e o Mundo disse:

    Não sou grande fã de Pink Floyd mas uma exposição sobre qualquer banda mítica vale sempre a pena. E o seu texto ainda me convenceu mais disso. Muito bom!

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  7. rui batista disse:

    Uma banda desta ‘dimensão’ merecia um tributo destes. Confesso que desconhecia o espaço. Mais um bom motivo para voltar a Inglaterra…

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  8. Lid Costa disse:

    Nossa, que legal essa exposicao! Os fas da banda devem pirar aí rs
    Apesar de nao ser fa da banda quero conhecer e talvez até comece a curtir eles!

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  9. A exposição parece ser muito boa. Fiquei com vontade de visitar. Obrigada pela matéria.

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  10. contramapa disse:

    Adoro Pink Floyd, uma das bandas da minha adolescência! Tenho pena de ter perdido essa exposição em Londres, tenho de esperar que venha a Lisboa!

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